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Carta do Desespero

| sexta-feira, 22 de abril de 2011 | 1 comentários |
Deixe em carta datada e marcada que um dia eu acreditei que todos os sentimentos existiriam sempre e que promessas seriam cumpridas. Elas nunca são.
Acreditei um dia que a vida iria me mostrar algo útil, que eu não temeria a morte ou o esquecimento, que não temeria ter apenas a companhia da solidão.
Que um dia a pessoa que me disse que se eu nunca fizesse aos outros o que não gostaria que fizessem comigo, que o que eu não gostaria que acontecesse comigo, não aconteceria de novo... E de novo.
Eu quis acreditar com todas as forças que tudo o que faço pelos outros, que outros fariam por mim, não é assim. Nunca foi, as pessoas não se doam tanto quanto eu.
Às vezes deixo de acreditar na amizade, outras vezes quando outros se mostram cruéis e tão egocêntricos que não enxergam a própria crueldade.
Mas eu percebi a tempo, que a dor maior não é pelo ferimento, mas pela falta de um colo para chorar, mesmo daqueles que sempre dei colo.
Mas eu amei... Eu amo, isso mantém a vida presa em mim.
Mas não falo de amor de amante nessa carta... Falo de amor de amizade, que nem sempre tem compaixão.
Gostaria de poder dizer ao mundo, que cuidassem melhor de seus amigos, como se fossem mesmo irmãos escolhidos, e não alguém por quem se tem interesses, por quem se recebe e nada se dá.
Mas aprendi a lição, aprendi que quando chega aqueles momentos... Os momentos onde a solidão e a dor são só minhas, e que ninguém aparece para estender a mão, que nesses momentos... Só tenho a minha companhia e o meu colo. Ainda posso me abraçar.


O mundo não é meu mundo

| quinta-feira, 14 de abril de 2011 | 1 comentários |
Depois de muito refletir decidi fazer esse post, ele é um desabafo, uma conversa com o leitor, ou como quiserem chamar, eu decidi que vou colocar meu pensamento em relação ao mundo lá fora. Recebi um comentário do post anterior, e como eu não sei colocar formas para responder comentários por aqui mesmo, quem quiser perguntar alguma coisa fique a vontade para mandar um e-mail (mello_chokolade@yahoo.com.br). Eu gosto de conversas longas e inteligentes.

Me perguntaram se aquele post era um relato sobre fobia social, eu diria que é um pouco daquilo sim... É uma das facetas que poderia ter a fobia social. Na verdade eu tinha acabado de me dar conta que tenho fobia social naquele post. Eu tinha feito o teste e havia parado para pensar. Sempre adorei filosofia, e acho que as pessoas, ao menos a maioria delas, não valoriza a capacidade de pensar e seguem a massa. Muitas pessoas podem discordar de mim nisso. Mas filosofia, a arte de pensar, foi abandonada e é vista só como material de estudo passado.

Por que eu cheguei nesse assunto depois de falar de fobia social? Bem, foi um super hiper link. Para dizer que eu pensei na fobia social em si, eu as vezes penso que se eu tivesse um emprego, poderia sair dessa minha vida de hikikomori. Eu acho que esse termo chega bem perto do que eu sinto, que é um termo japonês para "um comportamento de extremo isolamento doméstico", como está escrito no Wikipedia. Acontece que eu quero que todo o conhecimento que eu tenho ganhe valor em uma sociedade que não valoriza mais o conhecimento, e sim a capacidade do homem produzir em massa. Me pergunto o que é normal nesse mundo de hoje?

Eu não vejo uma resposta para essa pergunta, talvez o jeito que eu sou nunca seja considerado normal, minha personalidade e forma de pensar. A última vez que eu sai de casa... Foi dia 26 de Março, eu fui a um Show, era da banda de Heavy Metal Iron Maiden. Eu passei a semana toda me torturando por ter que ir a esse show, não queria sair de casa. Mas tinha comprado o ingresso e então fui, mas eu não me senti como devia, eu devia estar feliz por ir a um show de uma banda que eu gosto.

Eu me senti como se fosse uma obrigação ir, antes de sair de casa tentei me acalmar pensando que logo eu estaria em casa e teria acabado. E todas as vezes que eu vou para algum lugar é assim, eu passo os dias torcendo para não ser obrigada a sair de casa. Acho que o que mais me incomoda, é as pessoas insistindo que eu vá, eles não aceitam um simples "não quero ir", e só esse mês fui chamada para uma festa a fantasia e para a virada cultural de São Paulo, e mesmo sendo ruim dizer não, é pior ainda ir sem querer.

No show do Iron Maiden, eu passei mal quando vi que tinha muitas pessoas a minha volta. Eu senti falta de ar e quase desmaiei, quando o show acabou foi um tremendo alívio, por que eu me senti ansiosa e nervosa o tempo todo por não estar em casa. Onde eu me sinto mais calma. Eu acho que isso é um exemplo de fobia social, é quando o medo de viver em sociedade te prende em casa, e você passa a evitar qualquer evento social, e qualquer lugar que considere estranho. Não sou especialista nisso, mas ao menos pelo que eu li é bem o que eu sinto. Prefiro ficar em casa.

Desabafo sob efeito do sono

| terça-feira, 5 de abril de 2011 | 2 comentários |
Talvez um dia eu me arrependa de tudo, das coisas que eu escrevi nesse blog, do caminho que percorri até aqui. Admito que eu sou forte, por que nunca desisti, talvez eu seja só uma maluca egocêntrica e egoísta, que adora um pouco de masoquismo, não importa. Eu acho que só sou orgulhosa demais para admitir quando estou realmente mal... O primeiro post do blog foi dia 10 de setembro de 2008, isso quer dizer que o blog vai fazer um ano, um ano que ele fugiu do seu propósito.

Eu havia criado esse blog quando fazia faculdade para divulgar meus textos no geral, poemas, textos engraçados, crônicas e tudo o mais. Ele acabou virando um lugar onde eu uso os meus textos para criar uma arte do que eu sinto. Vi que pessoas se identificaram muito com o que eu escrevi aqui, em muitas ocasiões, resolvi colocar um contador de acesso. Por que? Por que eu queria que algo me animasse mais a escrever aqui, não só textos depressivos, mas que buscassem descrever qualquer tipo de sentimento.

Eu sempre fui muito curiosa e sempre quis compreender a essência do que eu sinto. Sempre achei que dizer apenas, estou com dor, estou triste e estou sozinho, fosse coisas vagas demais, não demonstram exatamente como eu estou me sentindo, não faz com que as pessoas por algum minuto compreendam o que eu sinto. Se eu estiver escrito algo errado, peço que me desculpem, eu acabei de tomar um remédio para dormir tem 30 minutos.

Eu me toquei que esse blog é muito importante para mim, agora sentada enquanto eu escrevo, penso que alguém vai ler, penso que os meus textos podem sim um dia fazer com que as pessoas compreendam além do que as palavras simples possam dizer. E ao mesmo tempo, uso esse blog para me compreender também. Me auto analisar.

Eu escrevi um texto esses dias, Um dia especial, eu fiz esse texto logo depois que fiz um teste para fobia social, o site era bem especifico nas perguntas, se quiser tentar clique aqui. E a minha pontuação foi 124, que seria de fobia social muito grave, eu sabia disso, é o que acontece quando se tranca no quarto e em uma rotina, eu criei uma rotina para mim e qualquer coisa fora dela me assusta.

Sei como funciona o meu dia, eu vou dormir sempre por volta das 4 horas da manhã, no qual tomo um dramin, espero dar sono, então acendo um incenso, leio um pouco, e vou dormir, acordo por volta das 12, e vou correr, é uma das poucas atividades fora de casa que eu faço, e as vezes arrumo desculpa para não ir. Não gosto de falar no telefone, não gosto quando conversam comigo, passo o dia todo no msn com a Nai, vejo House, animes e corrijo algumas fanfictions, ai tomo um remédio e vou dormir sempre a mesma coisa.

O mais triste no momento é que eu não sei onde isso tudo vai parar, e o resultado disso foi aquele textos. Hoje eu fiquei muito triste com um amigo, eu não tenho muitos, alguns deles quase não aparecem no msn, e outros ficam pouco. Qualquer coisa relacionada a perca de um amigo serve para machucar e muito.

Mas isso me fez pensar, eu sempre acabo pensando demais, o que eu mais penso comportamento humano, penso se não devia ter feito psicologia, mas me formei em jornalismo apenas para ficar desempregada. Para ficar presa dentro desse casulo que eu chamo de casa segura. E quanto mais eu penso no se humano, mais consigo me confundir, menos ainda compreendo do todo. E vendo como as pessoas que eu amo, agem, as vezes penso que elas são egoístas, penso no por que eles não se importam, e as vezes penso se eu que não errei. Por me magoar, talvez eu não devesse esperar que aquele ditado fosse verdade, o que diz "só faça aos outros aquilo que você gostaria que fizessem com você." Eu queria escrever mais, tem muita coisa que eu não disse. Mas o sono não deixa.

Boa noite a todos e obrigado a todos que lêem, seguem e comentam no Linha direta do inferno.

Um dia especial

| segunda-feira, 4 de abril de 2011 | 0 comentários |
O tempo, se ela fosse escrever uma história, se ela fosse começar um texto, sobre aquele dia, com certeza seria sobre o tempo. Ela iria querer o tempo perfeito, não seria um dia com sol, mas um dia que normalmente todos acham feio, seria um céu cinzento, um tempo fechado, com aquele tom de uma tempestade se formando. Ela iria querer sentir o vento arrepiar sua pele, enquanto ela descia as ruas de pedra em direção ao portão, cada detalhe revivido em texto.

Iria descrever o rangido suave do portão de tinta vermelha descascada, enferrujado que ela queria ter trocado, mas não o fez, não importava. A sala justa e preta se esticando nas pernas grossas enquanto ela subia os degraus de pedra marrom, trincados e velhos, envoltos a paredes de cimento, fechada e sufocante, um corredor, uma última passagem. O salto preto, alto... De agulha, como se dizem, fazia barulho a ninguém anunciando sua chegada.

A sala de cortinas fechadas estava escura quando ela entrou, mas ela gostava. Ela ajeitou inutilmente as almofadas do sofá, mexeu na toalha feita pela avô na mesa me mármore branco, a tirou e colocou no lugar. Tirou os sapatos ficando descalço, tudo feito com calma, um ritual, ela subiu na mesinha, bateu o calcanhar no vaso de violetas, o derrubou no chão... Sujando-o de terra. 

Derrubou com olhos vagos os mimos da peça, sapinhos de porcelana, vasinhos e frutas de cristal, ouviu o som deles caindo. Andou pelo corredor, para o quarto, viu seu reflexo no espelho, os cabelos loiros e lisos, a aparência bonita, os lábios rubros de batom, os olhos vazios... Os dedos tirando o batom. Não haviam dito que ela era bonita no caminho?

Ela estava em silêncio, não tinha ninguém para falar com ela, nunca houve ninguém... Ela tirou as vestes, entrou na banheira, tocando o corpo para lavá-lo, ninguém nunca sabia o que se passava em sua cabeça. Como ninguém sabe nunca o que está na cabeça do outro. 

Água pinga de seu corpo molhando o piso, ela sorri no espelho, ela sabia que sempre podia sorrir, não importava o seu tempo. Ela não tinha amigos, mesmo achando que era uma boa amiga, ela era interessante, era legal, já tinham falado que ela olhava nos olhos quando falavam com ela, então por que ela não tinha amigos? Ela tinha estudado, cada livro que jogava no chão, enquanto seu corpo nu dançava pela casa no escuro.

Ela era inteligente, tinha feito faculdade e se formado e não tinha um emprego, não tinha nada que era seu, se considerava uma inútil fracassada, que tinha que tomar um comprimido que nem era para dormir, para a dor passar um pouco e ela dormir, como uma boneca que havia sido desativada. Ela sabia recitar os seus livros preferidos de cor.

" Deixai toda esperança, ó vóis que entrais!" Sim, ela entendia Divina comédia, havia lido isso... Havia lido Fausto, que ficara aberto no corredor. "Aí tens! Andando com idiotas até mesmo o Diabo se dá mal." Ah, ela ainda se lembrava dos outros, de Sartre principalmente, ela sabia filosofia, sabia ler e compreender qualquer texto, como nunca tinham compreendido a ela. Ela era inútil e fracassada.

Os dedos tiravam os comprimidos, as unhas de esmalte vermelho corroído, dessa vez não foram um ou dois, ela perdeu a conta, as cartelas vazias no chão, enquanto tomava, com leite e chocolate doce, cada comprimido de sono. Depois ela teria apenas meia hora, pegou um vidro de vodca e foi jogando em cada canto, as vezes bebendo um pouco, e por último um cigarro, ela acendeu um cigarro, deixou que o fogo tomasse as cortinas e sentiu sono antes que elas, as chamas, tocassem o teto.

Onde ela estava? Era o chão? Era o quarto? Não se lembrava, por um um instante, a última cena que lhe apareceu a mente... Antonio Bandeira, no papel de vampiro Armand, no filme "Entrevista com o vampiro", segurando a moça loira nua e dizendo.... "No pain"! Realmente... Agora seria sem dor. Seu nome? O Nome da moça loira que preencheu sua história nos seus últimos pensamentos... Não é importante, como ela não foi importante, ela vai ser só mais uma pessoa que decidiu que era a hora certa e que ninguém mais vai se lembrar. Ninguém pode salvá-la, ninguém pode ouvi-la, ninguém lhe deu um emprego, a vez sentir útil e amada....

E agora ninguém vai chorar por ela. Pois no fim, ela viveu apenas para ela, como cada pessoa vive por si, como cada pessoa chora por si, e cada pessoa conhece a sua dor... O que ela queria? Que as pessoas tivessem um pouco de compaixão e aprendessem,de verdade a ouvir e ajudar, que aprendessem a ouvir, todas as vozes que normalmente se calam e que não pensassem... "Eu também tenho problemas", mas que pensassem "se eu ajudar o outro vou estar me ajudando". Ela queria que de pouco a pouco todo mundo fosse diferente, que fazer sorrir, fosse mais comum que fazer chorar, no final, ela não deixou sua esperança...

Por que... No final ela não fez nada disso que está escrito, ela não bebeu todo aquele remédio... Ela não desistiu por que era fácil demais, ela... Tomou um banho sim, fez sua pequena bagunça para descontar sua raiva, e tomou apenas um comprimido para dormir. Vodca? Ela nem tinha isso no seu armário. Mas ela pegou o telefone, ela ligou para alguém... Uma pessoa que a ouvia, chorou... Falou, e chorou de novo. E quando ela deitou para dormir, com um vazio no peito como se um peso fosse tirado dali, sabia que no dia seguinte começaria tudo de novo. Mas o amanhecer era único.

Ela sairia de novo, procuraria emprego de novo e tentaria mesmo fazer amizades, mesmo... Sendo idiota.

Vamos imaginar que o nome dela é Idiota. Por que? Ela sente e chora, e faz sentir... Mas ela sabe que desistir nunca é uma opção.